Esta é a coleção contínua em sua segunda temporada.
Contém escritos próprios e de leitores que gentil e espontaneamente se dispuseram a colaborar com a coleção publicando seus textos.
Continua valendo o convite à todos para que apresentem suas contribuições, na forma de crônicas ou contos curtos.
Textos sem indicação de autor são de minha autoria.
Se não indicado, as ilustrações são de minha concepção e aprimoradas com o auxílio da IA.
As postagens não seguirão um cronograma fixo. Serão publicadas no meio da semana, entremeando os capítulos da coleção corrente, que ocorrem aos sábados.
CONTEÚDO
O meu amigo Mariano ou Quem procura acha
Eu tenho o privilégio de manter uma memória nítida de minha vida desde a infância. Mais precisamente, desde quando eu tinha três anos de idade. Alguns fatos mais marcantes já escrevi em publicações anteriores neste site.
Após o falecimento do meu pai quando eu estava com menos de três anos de idade, a família mudou-se para Londrina. A minha infância e adolescência eu vivi naquela localidade. É o período mais marcante de minha vida, do qual as experiências vividas e ouvidas formam o arcabouço inspirador da maior parte de minhas escritas.
Já relatei sobre as aulas de judô que convivi com os meus amigos Mariano e Jorge. Para relembrar, a história é contada no Capítulo 37, intitulado “O pão e as aulas de judô”, publicado na coleção “Crônicas Londrinenses”. Acesse clicando aqui.
A minha convivência com o Mariano Suzuki foi muito curta, talvez entre 1958 a 1959, quando eu tinha entre 12 e 13 anos. Além de nossas idas para as aulas de judô à noite, após as minhas aulas no ginásio na parte da manhã e a conclusão das tarefas escolares, eu tinha as tardes inteiramente livres para os meus folguedos. Entre uma pescaria e uma pelada de futebol nas ruas, eu visitava o Mariano em sua casa, que distava uns 500 metros da minha, na Vila Casoni. Assim, convivi intensamente com ele e sua família, embora por pouco tempo.
A família de Mariano mudou-se para Curitiba em 1959. Assim, eu perdi por completo o contato com ele. No entanto, a nossa curta convivência foi marcante a tal ponto de eu nunca ter esquecido qualquer detalhe.
Mudei para Curitiba em 1966 para estudar na universidade, onde vivo desde então.
Não sei como fiquei sabendo do paradeiro do Mariano na capital. Nos primeiros tempos da universidade, lembre-me dele e fui procurá-lo no endereço conhecido por acaso. Era na Praça 19 de Dezembro, conhecida popularmente como Praça do Homem Nu, devido a enorme estátua de granito com sete metros de altura ali erigida. Autores da obra são Erbo Stenzel e Humberto Cozzo.
Eu me lembro ter ido ao local e ter falado com uma pessoa. Mas, não era o Mariano. Talvez fosse o seu irmão, pois por ele fiquei sabendo que o meu amigo não estava naquele momento.
Em meio as atribulações dos estudos e trabalho temporário para o meu sustento, aquele fato foi armazenado em algum lugar ermo de minha memória. A tal ponto, de eu esquecer de procurar novamente por ele.
Assim se passaram 60 anos.
Recentemente, comecei a procurar por amigos da minha infância e adolescência, para reatar amizade e reavivar reminiscências importantes da vida. A família e os amigos tornam-se cada vez mais importantes conforme se avança na idade. Isso eu venho comprovando a cada dia.
Na busca destes tesouros da juventude, encontrei alguns, outros não. Alguns, encontrei, mas não consegui lograr contato, seja por voz ou por letra, simplesmente por não ser atendido. Outros, encontrei, mas infelizmente já haviam partido desta existência.
Em meio a esta tarefa interessante, acabei lembrando do meu amigo Mariano. Pesquisei e facilmente encontrei o contato. Um estabelecimento comercial a 100 metros de onde eu moro. Liguei e confirmei que se tratava dele. Mas, não se encontrava naquele momento. A secretária, muito gentil, pediu para eu deixar o contato para que ele me retornasse à ligação. Daí a alguns minutos veio a ligação.
– Bom dia. Você é o Mariano Suzuki, que morava em Londrina?
– Sim, eu mesmo.
– Eu sou o Mario, que íamos juntos para as aulas de judô.
– Humm. Estou lembrando que treinei judô quando jovem.
– Então, eu morava na Vila Casoni e íamos para as aulas de judô no Tenrikyo, do outro lado da cidade. Na volta, a gente passava na padaria e comprava pão quentinho para ir comendo no caminho para casa.
– Vixi, você se lembra de tudo isso?
E assim, trocamos informações para confirmar as nossas identidades. A conversa foi longa, animada e amistosa.
Alguns dias depois do contato telefônico, fomos nos encontrar pessoalmente em seu escritório. Conversamos por quase uma hora, revivendo e confirmando que ambos ainda guardamos boas lembranças da época da juventude e, principalmente, estamos gozando de boa saúde, mesmo sendo oitentões.
Estamos planejando conhecer as respectivas famílias.

