Crônicas Independentes

Esta coleção contempla textos inéditos. São escritos independentes, inspirados num momento de inspiração.

As ilustrações foram concebidas por mim e elaboradas com o auxílio de IA (Inteligência Artificial). Foi utilizada a plataforma Gemini, do Google.

CONTEÚDO

A Perereca e as Piriquitas

A minha vizinhança é um verdadeiro zoológico.

Na casa ao lado, criam uma cachorrinha da raça Yorkshire, chamada Perereca. No prédio de apartamentos do outro lado, no quinto andar, mora uma gata angorá, com o nome de Piriquita. No andar térreo, a família pegou a irmã da Piriquita para criar, cujo nome registrado é Taturana, por ser bem peluda e braba. Mas, são mais conhecidas como Piriquita de Cima, a do quinto andar e como Piriquita de Baixo a sua irmã do andar térreo.

A Perereca costuma ser bem sapeca, sacudindo-se toda no seu passeio matutino. Ao encontrar um poste, a Perereca fica toda assanhada querendo fuçar e batizar o local com o seu líquido, nada perfumado. Na volta do passeio, sua dona deixa a Perereca de fora, na porta da padaria. Quando passa outro cão, este tenta se engraçar com a Perereca, mas ela nem dá bola.  A Perereca é bem cabeluda, com pelos pretos e brilhantes, chegando envolvê-la toda.  Chegando o final de semana, a Perereca começa a cheirar demais. Então, a patroa leva a sua Perereca para tomar banho e tosa.  Ao chegar no petshop, a Perereca fica toda assanhada, querendo cheirar e fuçar o traseiro das outras pets que estão por lá. Depois do trato, a Perereca está toda cheirosa, com pelos tosados e um lacinho na orelha. Até o sorriso da Perereca fica mais bonito, com os seus lábios bem úmidos e carnudos. A Perereca vive solta no quintal, onde pode fuçar à vontade. Quando está quente, a Perereca dorme ao ar livre. No inverno, a Perereca prefere o aconchego das cobertas de sua casinha ou pede para dormir com a patroa. Um transtorno é quando a Perereca está no cio. Nesses dias, a Perereca espalha seu sangue por todos os lados, lambuzando o quintal. É o período em que a cachorrada de rua se aglomera no portão, querendo cheirar a Perereca. Ela aproveita para espalhar todo o seu charme, pois a Perereca é exibida e gosta de se mostrar. A dona da Perereca cuida bem dela, pois o seu marido é fascinado pela sua Perereca. Afinal, foi ele que escolheu a Perereca quando a comprou. A Perereca acompanha seus donos para todo canto que eles vão. Nas viagens, a Perereca fica quietinha em sua caixa pet. De vez em quando, a patroa olha para o banco de trás para brincar com a Perereca, para ela não se sentir solitária.

Quase sempre acontece de a Piriquita de Cima estar no beiral da janela, tomando sol. A Piriquita de Cima é muito manhosa e bastante cabeluda. O miado da Piriquita de Cima é bastante sensual, com um tom abaritonado. A Piriquita de Cima é inquieta e fica pra lá e pra cá, desfilando o seu charme na janela. Quando percebe, a Piriquita de Cima começa a miar para chamar a Piriquita de Baixo, que está no peitoril da sacada do andar térreo. A troca de miados entre as duas Piriquitas deve perturbar a Perereca. Aí sim, que a Perereca fica braba e começa o desafio entre os latidos da Perereca e os miados da Piriquita de Cima, sintonizados com os da Piriquita de Baixo.

A sinfonia pererequiana com a piriquitiana é incômoda, às vezes.

Para apaziguar os ânimos, solto a minha Perseguida, uma rottweiler, que num único latido, silencia a vizinhança.